(Ex.: Montadora, veículo, versão, ano, produto)
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Seria apenas um escorregão nessa gloriosa caminhada de 27 anos de liderança absoluta de vendas ou o episódio sinaliza o fim de um ciclo? Seja como for, algum estrago já foi feito. Os 16,5% de participação da Volkswagen nas vendas em março significam o pior desempenho da marca em sua história no Brasil, onde, no tempo da reserva de mercado, já teve quase metade das vendas no País.

O velho campeão perdeu o posto para uma picape, outro feito inédito, este da Fiat, que colocou um utilitário pela primeira vez como o veículo mais vendidos no Brasil. É cedo pra analisar esses fenômenos, mas na Fiat já há quem discuta se a liderança da Strada não seria uma tendência do mercado brasileiro seguir o dos EUA, onde duas picapes – F150 e Silverado – são há anos líderes do ranking.
A Strada vendeu 13.019 em março, deixou o Palio em segundo lugar, com 12.856 e o Gol ficou apenas na terceira posição, com 12.529 unidades.

Um porta voz da Volkswagen argumentou que a empresa passa por um momento de transição e essa é a razão da queda de vendas. Disse que a Volkswagen está diante “da maior renovação do catálogo de produtos de sua história, promovendo a modernização de suas fábricas, com alterações em seus processos produtivos”. Citou o lançamento recente do Up e do Golf novo.

“No processo dessa ampla renovação é natural que as vendas, em determinado momento, não acompanhem mês a mês a evolução do mercado”, explicou, alertando no entanto que o Gol continua na liderança do mercado, com 48. 275 unidades comercializadas no primeiro trimestre do ano.

A empresa diz que o Gol novo permanece exatamente com a mesma participação de mercado dos últimos meses e que a razão da queda de vendas foi o fim da produção do Gol G4. A expectativa é de que haja uma retomada das vendas da marca com a chegada da linha 2015 da família Gol (Gol, Voyage e Saveiro), que começa a ser vendida na semana que vem.

Sobre as vendas no Up, a Volkswagen considera que elas estão atendendo às expectativas, “com participação de mercado diária em crescimento, demonstrando a excelente receptividade do modelo pelo mercado”.

A rede de revendedores não demonstra a mesma animação. Ouvido pela Autoinforme, um dirigente dos concessionários disse que o Up não está tendo o volume de vendas desejado e o Gol foi “abandonado”.

Ele disse que muitos consumidores vão à concessionária levados pela propaganda do Up, mas, chegando lá, percebem que podem comprar um Fox pelo mesmo preço e acabam optando pelo carro maior. “Só estamos vendendo o Up sacrificando a nossa margem”, disse o empresário.

“O Gol não é nem oferecido, está abandonado, a gente não tem como dar desconto no carro e por isso acaba nem oferecendo ao consumidor. Temos que trabalhar com tabela cheia”, revelou.

Outra crítica de alguns revendedores é que a campanha publicitária do Up não está destacando os atributos racionais do carro, como o alto nível de segurança (ganhou nota máxima (cinco estrelas) no selo de segurança Latin NCAP), o motor de três cilindros que revelou ter um ótimo desempenho, e o baixo consumo de combustível.

O mercado vive um momento de ebulição; só quando as coisas se acomodarem é que será possível fazer uma avaliação mais racional. Se os concessionários tiverem razão, certamente a montadora promoverá ajustes; caso contrário, as boas vendas vão voltar.

[Fonte:WebMotors]