(Ex.: Montadora, veículo, versão, ano, produto)
Translate: BR EN ES
 
O trânsito pesado das grandes cidades do Brasil e os avanços na tecnologia automotiva aumentaram a oferta dos câmbios em que o motorista não precisa trocar de marchas. Antes, esse tipo de conforto só aparecia como opcional em veículos mais caros ou, pelo menos, em versões superiores. Mas tecnologia é sempre assim: começa nos modelos mais caros e depois se espalha pelos segmentos mais baratos. Caso do Volkswagen Up, primeiro modelo 1.0 da montadora alemã a dispor de uma versão que dispensa o pedal da embreagem. Mas mesmo dentro da linha compacto, vale a lógica de chegar primeiro em cima e depois descer para versões mais baratas. O câmbio automatizado i-Motion só é oferecido na versão intermediária Move e na top High – incluindo as subdivisões Red, Black e White. Por um lado, democratiza o equipamento. Por outro, sofistica um pouco o modelinho e pode ajudar nas vendas, que até agora não deslancharam.
 
A caixa de marchas automatizada trabalha em conjunto com o único motor que equipa o Up: o propulsor tricilíndrico lançado no Brasil no hatch Fox Bluemotion, um ano depois que o próprio Up debutou na Europa. Integrante da linha EA211 – mesma do 1.4 TSI turbinado usado na sétima geração do Golf –, ele rende 75/82 cv a 6.250 rotações e 9,7/10,4 kgfm de torque aos 3 mil giros, quando abastecido com gasolina e etanol, respectivamente.
 
Como sempre acontece com este gênero de câmbio, o desempenho do propulsor perde um pouco do vigor com a inserção das trocas robotizadas. Com câmbio manual de cinco marchas, por exemplo, o conjunto leva o carrinho de zero a 100 km/h em 12,4 segundos. Já em qualquer configuração i-Motion, esse número sobe para 12,8 s, ou seja, quase meio segundo de diferença. Mas como tem relação final mais alongada, a velocidade máxima sobe de 165 km/h para 168 km/h com etanol no tanque.
 
Mesmo que a transmissão automatizada aumente o poder de atração do Up, também exacerba um problema que o hatch enfrenta no mercado brasileiro: a pouco atraente relação de custo/benefício. Os R$ 43.450 cobrados pelo Red Up I-Motion ficam um tanto salgados diante do que ele oferece. De série, o modelo traz ar-condicionado, direção elétrica, travas, vidros dianteiros e retrovisores elétricos, chave canivete, rodas de liga leve de 15 polegadas, computador de bordo e sensor de estacionamento traseiro. Com o sistema de navegação Maps & More, passa a R$ 44.753. Atualmente, o único concorrente sem pedal de embreagem e com motor 1.0 no Brasil é o Kia Picanto, que custa R$ 44.900 com câmbio automático de quatro marchas – até o ano 2000, a Fiat oferecia o Palio 1.0 Citymatic, que também dispensava a embreagem.
 
Nessa faixa de preço, há ainda outros modelos automatizados com motores mais fortes. Caso do novo Fiat Palio com transmissão automatizada Dualogic  de cinco marchas, que gerencia um motor 1.6 e custa R$ 45.617, com um nível de equipamentos semelhante ao do Up. A Hyundai vende o HB20 Comfort Plus 1.6 automático, também com conteúdo equivalente, por R$ 46.675. Na Chevrolet, um Agile 1.4 com câmbio automatizado nas mesmas condições é vendido por R$ 46.696. Ou seja: o i-Motion, de fato, aumenta o leque de ofertas do compacto da Volkswagen, mas não deve facilitar tanto assim sua vida no mercado.
 
Ponto a ponto
 
Desempenho – O motor três cilindros é forte o suficiente para mover o Up sem qualquer dificuldade. Seus 82 cv com etanol e 75 cv com gasolina, aliados aos baixos 953 kg do compacto, deixam seu desempenho até acima da média dos modelos com motor 1.0 litro. O câmbio automatizado iMotion, porém, rouba boa parte da força do Up nas arrancadas, retomadas e ultrapassagens. Para extrair tudo que o propulsor tem a oferecer, o mais indicado é fazer as trocas manualmente e abrir mão do conforto de não se preocupar com a transmissão. Ou se conformar em ter um carro mais calmo. Nota 6.
 
Estabilidade – Rolagens de carroceria são praticamente imperceptíveis. A suspensão transmite segurança e suas quatro rodas se mantêm bem presas ao chão o tempo todo. Pelo fato de ser muito leve, exige pequenas correções de trajetória em velocidades mais altas. Ainda assim, é muito estável. Nota 8.
 
Interatividade – O Up é um carro bem prático e funcional. Seu painel é simples, mas não passa a impressão de que falta alguma coisa. Os comandos são mesmo os essenciais e todos ficam bem à mão do condutor. Só o visor no painel de informações destinado ao hodômetro e aos dados do computador de bordo é que tem um tamanho excessivamente reduzido. Mas com o opcional Maps & More da versão testada, isso deixa de ser um problema. Nota 7.
 
Consumo – O Programa de Etiquetagem do InMetro registrou 9,0 km/l e 10,0 km/l com etanol e 13,0 km/l e 14,4 km/l com gasolina, respectivamente, nos ciclos urbano e rodoviário para o Up Red iMotion. Tais números renderam nota “A” tanto no segmento quanto no geral. Seu índice de consumo energético ficou em 1,57 MJ/km, que é um dos melhores do mercado brasileiro. Nota 9.
 
Conforto – O Up é um compacto altinho, o que favorece passageiros com estatura avantajada – um ponto que o coloca em destaque entre os compactos nesse quesito. O espaço interno é suficiente para quatro pessoas viajarem sem grandes apertos. Mas o isolamento acústico falha em rotações altas e os bancos dianteiros têm pouca espuma, o que provoca cansaço em trajetos longos. As saídas de ventilação são pouco adequadas para um país quente como o Brasil, pois as centrais direcionam o ar somente para o para-brisas. Para os passageiros sobram apenas as laterais. Nota 6.
 
Tecnologia – A plataforma é a PQ12 – ou NFS, de New Small Family, uma das mais recentes do Grupo Volkswagen. Tem boa rigidez torcional e excelente programação de áreas de deformação. Tanto que o compacto ganhou nota máxima em testes de impacto. O propulsor tricilíndrico de 1.0 litro e 12V também é moderno. Para completar, o Up é tem como opcional transmissão automatizada. Nota 9.
Habitabilidade – Há espaço até para garrafas nos bolsões das portas e dois porta-copos, um à frente e outro atrás. Na parte central, um nicho guarda bem objetos de uso rápido, como carteira, celular e chaves. O porta-malas leva razoáveis 285 litros e, na versão Red, ainda conta com um prático fundo regulável, que pode ser elevado para facilitar o acesso à bagagem. Nota 8.
 
Acabamento – O Up traz plásticos por toda a parte – de aparente qualidade, é verdade –, mas o painel pintado na cor da carroceria dá um charme retrô e, ao mesmo tempo, descolado para o carrinho. É um ponto que se equilibra bem com o design moderno do compacto. O tecido do banco é um tanto áspero, mas o volante e a alavanca do freio de mão em couro ajudam a criar uma atmosfera mais estilosa. Nota 7.
Design – O Up é um compacto com design cheio de artimanhas. A traseira robusta aumenta o carro visualmente. Tem um ar descontraído, mas em uma lógica cartesiana, e a falta de uma grade dianteira insere certa personalidade ao modelo. Na versão Red, ainda ganha rodas e painel interno na cor da carroceria. Nota 7.
 
Custo/benefício – Versão Red i-Motion, topo da linha, custa R$ 43.450. E sobe para R$ 44.753 com sistema com GPS. O Kia Picanto 1.0 automático sai por R$ 44.900, sem navegação. Os demais concorrentes com equipamento semelhate têm motor mais forte, como o Fiat Palio 1.6 Dualogic, que sai a R$ 45.617 ou o Hyundai HB20 Comfort Plus 1.6 automático, que custa R$ 46.675. Na Chevrolet, o Agile 1.4 Easytronic custa R$ 46.696. Pelo preço, o Up briga com modelos bem mais potentes. Nota 6.
 
Total – O Volkswagen Red Up iMotion somou 73 pontos em 100 possíveis.
 
Impressões ao dirigir
 
Fôlego comedido
 
Na versão Red, o Up ganha certo charme pelas rodas de liga leve com 15 polegadas com acabamento em vermelho e retrovisores, frisos e moldura dos faróis de neblina metalizados. Por dentro, chama atenção o painel central na cor da carroceria, que dá um toque divertido e charmoso ao habitáculo. Os comandos são bem intuitivos e de acesso extremamente fácil. E apesar de ser um compacto, o espaço interno é bom para motorista e carona e até mesmo com quatro pessoas é possível se acomodar sem apertos. 
 
Um dos principais trunfos do Up é seu eficiente motor 1.0 12 V de três cilindros. Mas na versão i-Motion, com transmissão automatizada, é preciso pesar o que mais se quer: desempenho ou conforto. A possibilidade de esquecer as trocas das cinco marchas é atraente, principalmente para o trânsito urbano. Mas os soluços e a forma pouco vigorosa como ela se comporta tiram uma das melhores características que o Up tem em relação ao demais os carros com motor 1.0: a disposição para ultrapassagens, acelerações e até subidas de ladeiras. Já optando pelas trocas manuais, encontra-se uma sintonia melhor entre o câmbio e o propulsor.
 
Curvas – mesmo em altas velocidades – são vencidas com bom equilíbrio e suavidade. Mesmo o Up estando longe de ser um modelo esportivo, seu bom desempenho quando ajustado às trocas de marcha instiga pisadas mais fundas com o pé direito. E a sensação de segurança é constante com a suspensão tipicamente firme da Volkswagen. Só mesmo na hora de enfrentar os buracos é que ela decepciona, pois não absorve bem as imperfeições do piso. 
 
Completo, como na versão testada, o Red Up conta com um sistema de informação e navegação. A tela acoplada ao console central soluciona o problema de leitura criado pelo pequeno visor no painel de informações, já que traz os dados de hodômetro e do computador de bordo. Mas, com ela, perde-se a entrada USB do modelo, o que deixa o som do carro ainda mais simples. Além disso, o GPS que acompanha o equipamento não tem uma operação das mais fáceis.
 
A má distribuição das saídas é um ponto que causa estranheza no UP. O fato de apenas as laterais direcionarem o ar para os passageiros pode causar momentos de desconforto em dias quentes, pois o “refresco só chega quando toda a cabine é resfriada. A vantagem é que o habitáculo não é dos maiores e o ar-condicionado acaba ganhando em eficiência.
 
Ficha técnica
 
Volkswagen Red Up I-Motion
 
Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automatizado com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 82 e 75 cv a 6.250 rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 10,4 e 9,7 kgfm a 3 mil rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,8 e 13 segundos com etanol e gasolina.
Velocidade máxima: 168 e 166 km/h com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 74,5 mm X 76,4 mm. Taxa de compressão: 11,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção, com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD de série.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 3,60 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,50 m de altura e 2,42 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 953 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 285 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Taubaté/SP, Brasil.
Lançamento mundial: 2011. Lançamento no Brasil: 2014.
Itens de série: Transmissão automatizada i-Motion, fixação Isofix, lavador, limpador e desembaçador traseiro, ar-condicionado, direção assistida, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanterna de neblina, vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme, bancos parcialmente revestidos em couro sintético, rodas de liga-leve de 15 polegadas, chave canivete, fundo móvel no porta-malas, volante e alavanca do freio de mão revestidos em couro, rádio CD/MP3/Bluetooth/Aux.
Preço: R$ 43.450.
Opcionais: Sistema Maps & More com navegação GPS.
Preço completo: R$ 44.753.
 
[Fonte: Auto Press]