(Ex.: Montadora, veículo, versão, ano, produto)
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De equipamento de carros de luxo, em geral de porte médio ou superior, a caixa de câmbio automática passa cada vez mais a ser oferecida em modelos menores e mais acessíveis. O item não é novidade no Citroën C3, que o oferece desde o modelo 2009 da geração anterior, mas até agora ficava restrito à versão de topo Exclusive. Na linha 2015, porém, torna-se possível combiná-lo ao acabamento intermediário Tendance.

A novidade representa redução de R$ 5.100 no preço de entrada de um C3 automático, dos R$ 56.090 do Exclusive para os R$ 50.990 do Tendance, que nesse caso recebe o mesmo motor de 1,6 litro e 16 válvulas da versão superior (o Tendance de câmbio manual continua com a unidade de 1,45 litro e oito válvulas). O pequeno Citroën, assim, torna-se mais competitivo diante de Chevrolet Onix LTZ 1,4 (R$ 52,4 mil), Fiat Punto Essence 1,6 16V (R$ 50,5 mil), Ford Fiesta SE 1,6 16V (R$ 53,5 mil), Hyndai HB20 Premium 1,6 16V (R$ 52,9 mil), Peugeot 208 Active Pack 1,6 16V (R$ 52,4 mil) e Volkswagem Fox Highline 1,6 (R$ 51,1 mil). Desses, Fiat e VW usam câmbio automatizado, a Ford tem um automatizado de dupla embreagem e os demais são automáticos.

O que se perde com a opção por esse C3 mais barato? São itens como controlador e limitador de velocidade, alarme com proteção por ultrassom, sensores de estacionamento na traseira, faróis e limpador de para-brisa com acionamento automático, rodas de 16 pol (passam a 15), apoios de braço centrais na frente, controle automático do ar-condicionado, retrovisor interno fotocrômico, revestimento em couro do volante, maçanetas externas e retrovisores cromados. O Exclusive ainda pode receber revestimento parcial dos bancos em couro. Ambos, porém, oferecem opção de navegador integrado (R$ 2.400) e pintura metálica (R$ 1.390) ou perolizada (R$ 1.790), com os quais o Tendance avaliado chegava a R$ 55.180.

Embora abra mão de alguns refinamentos que agradam no Exclusive, o C3 intermediário está longe de ser despojado. Os conteúdos de série passam por freios antitravamento (ABS) com distribuição eletrônica (EBD), direção com assistência elétrica, computador de bordo, banco do motorista regulável em altura, volante ajustável em altura e distância, faróis de neblina, luzes diurnas por leds na frente, para-brisa estendido Zenith, rádio/CD/MP3 com conexões auxiliar e USB, interface Bluetooth para telefone celular e controle elétrico dos vidros, travas e retrovisores. Bolsas infláveis são apenas as frontais.

Com um estilo harmonioso, que casa bem com as rodas de alumínio de 15 pol, o Tendance oferece um interior agradável e de acabamento adequado, apesar dos plásticos rígidos e do tecido simples aplicado aos bancos. A posição de dirigir foi bem elaborada, com amplas regulagens e pedais em alinhamento correto ao banco e ao volante, e o painel de instrumentos traz o habitual com fácil leitura, além de um computador de bordo de poucas funções. O navegador fica em posição ideal para se desviar menos a atenção da via, mas a inserção de endereços por botão no rádio não é prática.

Há diversos bons detalhes no carro, como porta-luvas refrigerado, alerta para uso do cinto, o amplo para-brisa que se estende até acima dos bancos dianteiros (a parte superior é escurecida e existe um anteparo de acionamento manual para retomar o tamanho de um vidro comum), maçanetas internas cromadas (fáceis de encontrar à noite), comandos de áudio junto ao volante, lavador de para-brisa com excelente dispersão de água e indicador de temperatura externa.

Aspectos que podem melhorar: o bocal do tanque de combustível requer uso de chave, falta ajuste de altura para os cintos (pior no caso do passageiro, que não dispõe dessa regulagem em seu banco), os espaços para objetos são escassos, as luzes de cortesia dianteiras ficam recuadas e são muito fracas, os para-sóis não têm espelho nem podem ser movidos para as laterais, a moldura cromada do câmbio reflete os raios solares em certos horários, o bloqueio dos controles elétricos de vidros traseiros também desativa sua operação pelo motorista (deveria afetar apenas os comandos dos passageiros) e faltam repetidores laterais de luzes de direção, agravado pela posição infeliz dessas luzes na frente.

Espaço no banco traseiro não é destaque do C3, mas há acomodação adequada para duas pessoas de estatura média atrás de outras do mesmo porte e, se forem crianças, uma terceira pode viajar no centro com relativo conforto — dispondo de encosto de cabeça e cinto de três pontos, assim como os colegas das laterais, o que é raro na categoria. A capacidade de bagagem de 300 litros está na média do segmento e o banco traseiro tem encosto bipartido em 60:40. O estepe da versão segue a medida dos demais pneus, mas com roda de aço.

Bom motor, câmbio limitado

Como vimos, ao contrário do Tendance manual, que usa o motor de 1,45 litro e oito válvulas, a versão de caixa automática recebe a unidade de 1,6 litro e 16 válvulas já conhecida do Exclusive. Além de potência e torque bastante superiores (115/122 cv e 15,5/16,4 m.kgf contra 89/93 cv e 13,5/14,2 m.kgf, sempre na ordem gasolina/álcool), o motor de maior cilindrada traz a vantagem adicional do sistema Flex Start de partida a frio, que usa preaquecimento de álcool e dispensa o tanque suplementar de gasolina.

A caixa automática de quatro marchas, a mesma AT8 que a PSA já deixou de usar em alguns modelos (como Peugeot 208 e 408), oferece programas de condução normal, esportivo e para pisos de baixa aderência, um canal para seleção manual e comandos fixos à coluna de direção para o mesmo fim. Em modo manual permanecem as trocas automáticas para cima no limite de rotações, mas é possível abrir quase todo o acelerador sem provocar redução, que só ocorre ao chegar ao fim de curso do pedal. Curioso não haver indicação da marcha em uso em manual.

Tanto nos freios com discos ventilados à frente quanto na calibração mais firme da suspensão, o Tendance automático segue o Exclusive de mesmo tipo de câmbio — a versão manual de 1,45 litro usa discos sólidos e acerto mais macio, pois o conjunto motor-câmbio pesa cerca de 80 kg a menos. Já os pneus de medida 195/60 R 15 estão ligados à versão de acabamento; a Exclusive vem com 195/55 R 16, qualquer que sejam o motor e a caixa escolhidos.

Como é dirigir esse C3? Agradável, sem dúvida. O motor vibra pouco, produz ruído moderado e tem potência adequada desde baixas rotações para lidar com um dos compactos mais pesados do mercado (1.182 kg nesta versão). Embora as quatro marchas sejam pouco para aproveitar a faixa de melhor desempenho do 1,6-litro, no uso normal o câmbio dá conta do recado. Poderia ser mais suave nas mudanças, é verdade, assim como mais uma ou duas marchas reduziriam a grande variação de rotação em cada troca. Ponto positivo é sua calibração em uso rodoviário, onde mantém a quarta marcha em subidas leves que, em alguns câmbios desse tipo, resultariam em redução para terceira e aumento de ruído.

As medições do Best Cars apontaram bom desempenho, dentro do esperado por suas características (veja tabela abaixo), mas um consumo mais alto do que o porte e a potência do Citroën fariam prever — aqui, as quatro marchas e as perdas de energia do conversor de torque do câmbio, que os automatizados evitam, fazem diferença para pior. Como referência, o Honda Fit EX de caixa CVT obteve desempenho superior (apesar da menor potência) e consumo bem mais baixo, sobretudo nos ciclos urbanos, e até o mais potente e pesado Ford Focus SE foi mais econômico que o C3, salvo no trajeto exigente em cidade.

Ao contrário do C3 Exclusive, que havia incomodado pela transmissão de irregularidades do piso, o Tendance mostrou um rodar confortável sobre condições menos favoráveis, sinal de que pneus de perfil mais alto podem fazer muito pela adequação de um carro ao solo brasileiro. Eventual redução na estabilidade — se houver, pois até a largura dos pneus é mantida — em nada prejudica o bom comportamento dinâmico do carro, que tem ainda freios eficientes. A direção cativa pela leveza em manobras, mas alguns podem desejar maior sensibilidade ao andar rápido.

Quando submetemos a versão de topo à avaliação de Um Mês ao Volante, no fim de 2012, concluímos que o C3 Exclusive é um carro bastante interessante, mas oferecido a preço alto demais para suas características. O Tendance ataca diretamente esse ponto e consegue um preço mais razoável, abrindo mão de itens que não fazem tanta falta assim. Ficou barato? Ainda não: o Fiesta SE parece mais convincente com o câmbio de seis marchas, o  controle eletrônico de estabilidade e outros atributos compatíveis com os do Citroën. Mas quem simpatizar pelo francesinho ou quiser sentir o sol das manhãs de inverno entrando pelo enorme para-brisa, sem precisar trocar de marchas, agora pode fazê-lo tirando R$ 5 mil a menos do bolso.

Testes de desempenho

• Arrancar forte com o C3 é fácil: basta segurar os freios e acelerar até 2.600 rpm, rotação de estol da caixa automática. Liberado o pedal da esquerda, ele sai ágil sem patinar pneus.

• As trocas automáticas dão-se a 6.000 rpm no caso da primeira e 6.200 na segunda. O grande intervalo entre as relações das quatro marchas implica queda expressiva de giros: quando a segunda entra, as 6.000 rpm despencam para meras 3.300 rpm e o motor sente grande perda de potência até atingir sua melhor faixa novamente. Os testes de desempenho foram feitos no modo esportivo do câmbio, que mantém o motor em regimes mais altos em cargas (aberturas de acelerador) parciais, mas não altera a rotação máxima das trocas.

Aceleração
0 a 80 km/h 8,8 s
0 a 100 km/h 12,2 s
0 a 120 km/h 17,1 s
0 a 400 m 18,2 s
Retomada
60 a 100 km/h* 7,3 s
60 a 120 km/h* 12,5 s
80 a 120 km/h* 9,1 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 7,6 km/l
Trajeto exigente em cidade 4,6 km/l
Trajeto em rodovia 8,4 km/l
Autonomia
Trajeto leve em cidade 376 km
Trajeto exigente em cidade 228 km
Trajeto em rodovia 416 km
Testes efetuados com álcool; *com reduções automáticas; conheça nossos métodos de medição.

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Material do bloco/cabeçote ferro fundido/alumínio
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 78,5 x 82 mm
Cilindrada 1.587 cm³
Taxa de compressão 12,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 115 cv a 6.000 rpm/122 cv a 5.800 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 15,5/16,4 m.kgf a 4.000 rpm
Potência específica (gas./álc.) 72,5/76,9 cv/l
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas automático / 4
Relação e velocidade por 1.000 rpm
1ª. 2,73 / 9 km/h
2ª. 1,50 / 16 km/h
3ª. 1,00 / 25 km/h
4ª. 0,71 / 35 km/h
Relação de diferencial 3,67
Regime a 120 km/h 3.450 rpm (4ª.)
Regime à vel. máxima informada ND
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado (266 mm ø)
Traseiros a tambor (229 mm ø)
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Diâmetro de giro 10,3 m
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Estabilizador(es) dianteiro e traseiro
Rodas
Dimensões 15 pol
Pneus 195/60 R 15
Dimensões
Comprimento 3,944 m
Largura 1,708 m
Altura 1,521 m
Entre-eixos 2,46 m
Bitola dianteira ND
Bitola traseira ND
Coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,31
Capacidades e peso
Tanque de combustível 55 l
Compartimento de bagagem 300 l
Peso em ordem de marcha 1.182 kg
Relação peso-potência (gas./álc.) 10,3/9,7 kg/cv
Garantia
Prazo 3 anos sem limite de quilometragem
Carro avaliado
Ano-modelo 2015
Pneus Pirelli Cinturato P1
Quilometragem inicial 2.000 km
Dados do fabricante; ND = não disponível

[Fonte: Best Cars]